Empreendedorismo feminino começa a entender a força do dinheiro. E escolhendo de maneira consciente para onde vai seu dinheiro. O mundo só entende essa língua.

O desafio mundial

De acordo com o relatório World Gender Gap 2020, do Fórum Econômico Mundial, no ritmo atual, seriam necessários 99,5 anos para que a igualdade de gênero fosse alcançada no mundo. Isso significa que a desigualdade entre os gêneros é uma realidade atual e histórica que resulta nas mais diversas formas de violência, opressão e desvantagens contra as mulheres.

O ponto é que as corporações já entenderam que ter 71% de metade do planeta não se sentindo representadas pelas marcas é sofrer impactos econômicos. Com isso, países como Brasil com índices baixos de igualdade em sua sociedade começam a questionar e tornar pauta de reuniões públicas, corporativas e empresariais como podem promover a igualdade de direitos e oportunidades as mulheres.

E para trazer os pontos de impacto do empreendedorismo feminino, preciso trazer um panorama do empreendedorismo no Brasil.

Panorama brasileiro

O alto índice de empresas nascentes no Brasil coloca o país em primeiro local dentre os países pesquisados (12,3%) pela GEM – Global Entrepreneurship Research Association numa pesquisa recente de 2019. Ficando os Estados Unidos da América com a 2ª maior taxa e a Austrália com a 3ª. Em outros termos, isso significa que um em cada oito brasileiros estão empreendendo. Esta taxa expressa o esforço empreendedor da população, ou seja, a proporção de pessoas que estão envolvidas na criação de algum negócio.

Ao se falar de novas empresas, aquelas que vêm remunerando proprietários e/ou colaboradores até 42 meses, o Brasil fica em 3.° lugar com 4,4%, tendo acima os Estados Unidos (4,7%) e a Coréia (9%).

A taxa de participação feminina, no Brasil, em iniciativas empreendedoras está entre as três mais altas dos países pesquisados, juntamente com o Canadá e a Espanha. Para cada 1,6 homens empreendendo, tem-se uma mulher, o que é bastante significativo.

Os fatores que mais se destacaram como determinantes ao impulso empreendedor no Brasil foram: Políticas Governamentais, Educação e Acesso ao Capital. Sendo que 78% das mulheres empreendem após se tornarem mães.

O Brasil impactado pelas mulheres

O Brasil ao longo dos anos atingiu 42% das casas sendo chefiadas por elas e a economia do país começou olhar para as mulheres e para seu poder econômico. Sendo que as mulheres já comandam mais de 9 milhões de negócios com CNPJ e legalizados no país. E desde 2015, mais de 52% dos negócios abertos legalmente são criados pelo empreendedorismo feminino. Esses dados podem aumentar muito, pois não temos como mensurar os negócios que ainda não estão formalizados.

As iniciativas começam pelo incentivo de trazer mais mulheres para área da inovação e tecnologia. Seja para gerar oportunidades em empresas até estruturar seu negócio no modelo startup. O Hub de inovação IAPRENDI compila dados para difundir e promover a igualdade de gênero mostrando as empresas que promover ambientes de oportunidades iguais dá lucro.

O poder do dinheiro

O dinheiro é uma língua universal e as mulheres estão mudando o jogo na economia brasileira. Muitas já entenderam que consumir somente de empresas que respeitam a equidade de gênero o jogo muda.

“Como exemplo, ou você reclama de desigualdade ou compra um evento só com palestrantes homens. Os dois não dá! Ou sua empresa se posiciona nessa luta ou patrocina projetos que não olham para esse lugar. Os dois não dá!” Essa fala que trago em muitos das minhas palestras representa muitas executivas brasileiras do alto escalão que estão reposicionando as corporações para igualdade de gênero no Brasil e vendo sua lucratividade aumentar em até 21% sem realizar nenhuma estratégia diferente. Apenas resultado de criação de oportunidades internas e composição da liderança com mais mulheres.

Eu escolho de maneira consciente para onde vai meu dinheiro. O mundo só entende essa língua. E o empreendedorismo feminino começa a entender essa força. Tanto que Fundos de investimentos estão vindo para o Brasil de olho em startups comandada por mulheres com um menor risco no retorno de investimento. A cada 1 dólar investido em startups com comando misto ou somente com elas na liderança tem um retorno de 78 centavos de dólar enquanto só comandado por eles o retorno é bem menor, na casa dos 38 centavos para cada dólar investido.

Estudos dizem que entregando oportunidades iguais para as mulheres, teremos uma injeção de até 5 trilhões de dólares no PIB Global. Brasil está alguns anos atrasado em relação alguns países, porém começa a se mexer por imposição delas e isso já começa a mudar os números da economia mesmo num ambiente de crise política, econômica e pandêmica. Concluo o artigo afirmando que se as ações de guerra dos sexos forem substituídas pelo entendimento assertivo de tê-las como parcerias de negócios o ambiente econômico fica lucrativo para todos. E se a mulheres desejam usar seu conhecimento como investimento e retorno financeiro, o ELA S/A é para elas.

 

  • Negócios comandados por elas em todo o país 34% 34%
  • Casas com mulheres chefiando economicamente 42% 42%
  • CNPJ abertos a partir de 2015 e comandandos por mulheres 52% 52%
  • Retorno de investimento em startups comandadas por mulheres 78% 78%
Pâmela Ponce

Pâmela Ponce

CEO

Artigo escrito por Pâmela Ponce, colunista no Brasil sobre os temas de inovação e tecnologia e empreendedorismo feminino. CEO do IAPRENDI, Diretora do Founder Institute, mentora do programa Mulheres inovadoras do Ministério da Tecnologia e Inovação do Brasil. Investidora em startups e realiza conexão entre Fundo de Investimentos e startups.